Crise tem as digitais do governo

sexta-feira, 24 de abril, 2009 20h 04min

Para integrantes do Fórum da Liberdade, realizado em Porto Alegre, a crise não foi causada pelo capitalismo nem se resolverá com intervenções públicas

PORTO ALEGRE – A crise econômica global não foi causada por erros do capitalismo nem se resolverá por intervenções do governo. Essa interpretação não é a dominante na mídia hoje em dia, mas foi a que mais se viu durante a 22ª edição do Fórum da Liberdade, encontro promovido anualmente pelo Instituto de Estudos Empresariais (IEE) do Rio Grande do Sul, que reúne sempre a nata do liberalismo no Brasil. O IEE é formado por jovens empresários que se reúnem para estudar (há leituras obrigatórias) e debater políticas públicas no Brasil. Todos os anos realizam um fórum de dois dias, famoso por abrigar pluralidade de pensamento e trazer grandes personalidades como prêmios nobel de economia, a exemplo de Gary Becker, James Buchanan e Douglass North. A edição deste ano aconteceu entre os dias 6 e 7 de abril.
“Essa é uma crise provocada pelo governo e suas políticas populistas. As digitais do governo estão em todos os lugares”, falou o vice-presidente do IEE, Luiz Leonardo Fração. O populismo estaria no fato de que, desde o governo Bill Clinton, a administração americana incentivou empresas hipotecárias a tomarem riscos excessivos em empréstimos a consumidores com histórico de inadimplência – gerando a crise do subprime. A outra grande digital estaria no fato de que a autoridade monetária americana praticou juros baixos por tempo excessivo, o que deslocou os ativos financeiros de sua base real. “Que crise neoliberal é essa onde o Banco Central mantém os juros artificialmente baixos? Onde títulos privados são garantidos pelo governo? Onde 20 líderes do G-20 se reúnem durante dois dias, emitem uma montanha de dinheiro, e acham que a crise está resolvida? Uma cultura de liberdade é a chave para fugir do caminho da servidão”, concluiu Fração.
O grupo tem a sua linha de pensamento, mas valoriza a liberdade e o amplo debate de opiniões. Por isso o nome Fórum da Liberdade e a lista de grandes debates realizados, como o filósofo de direita Olavo de Carvalho e o ex-governador Leonel Brizola falando sobre educação. Ou, como no ano passado, um cientista do painel de mudanças climáticas da ONU (IPCC) debatendo o assunto com outro cientista de uma linha radicalmente contrária, a de que o mundo está esfriando.
A edição deste ano teve menos estrelas e apenas um painel com debate que pôde ser considerado “quente”: o sobre cotas raciais, entre o sociólogo Demétrio Magnoli (contrário) e Frei David Raimundo Santos (a favor), contando ainda com a participação do economista Franklin Cudjoe, de Gana.
O encontro foi aberto pelo ex-presidente mexicano Vicente Fox, que compartilhou o receio do grupo em relação às políticas que estão sendo tomadas para combater a crise. Segundo Fox, colocar muitos limites à criatividade pode ser perigoso e resultar em menor crescimento.
Executivo de sucesso por 15 anos na Coca-Cola, Vicente Fox foi o primeiro presidente da oposição a ganhar eleições no México desde 1920. Conseguiu sair com 70% de aprovação e eleger o sucessor. Para ele, a América Latina, com seus seguidos giros à esquerda ou à direita, acabou se atrasando em desenvolvimento. “O caminho mais rápido entre dois pontos é uma reta”, comparou. E agora, com a crise econômica, há riscos para um retrocesso, defendeu.
“Colocar limites à liberdade, criatividade, às novas ideias, pode ser perigoso. Hoje querem mudar esse sistema que nos deu tanta prosperidade. Tem que fazer como uma cirurgia de alta precisão. Tirar o que está ruim e preservando o resto”, sugeriu. Segundo ele, o caminho para a prosperidade é conhecido: poupança, investimento e geração de emprego. “É preciso muito cuidado para, nessa época de turbulências, não adotar a solução errada”, advertiu.
Fox destacou as vantagens que o acordo do Nafta teve para o México. Segundo ele, em 2006, a balança comercial entre México e Estados Unidos era maior do que a de todos os outros países da América Latina somados. E afirmou torcer para que o seu país entre também no Mercosul, mas criticou a Venezuela, país que já negociou a adesão ao bloco, mas falta a aprovação no parlamento brasileiro. “De vez em quando geramos líderes messiânicos, que têm nostalgia do passado e falam em criar o socialismo do século XXI. Isso são coisas que ficaram no passado, assim como concentrar o poder em uma só pessoa”, criticou o ex-presidente.

Fonte: Jornal do Commercio – PE




Liberdade de Etnias é tema do quarto painel do Fórum da Liberdade

sexta-feira, 24 de abril, 2009 19h 58min

O quarto painel do XXII Fórum da Liberdade, promovido pelo Instituto de Estudos Empresarias (IEE), que aconteceu na tarde de hoje, dia 7, debateu sobre a Liberdade de Etnias, reunindo Franklin Cudjoe, Demétrio Magnoli e Frei David Raimundo Santos. Durante a discussão foram abordados temas como raças, cotas para negros nas universidades e políticas governamentais.

O diretor do Centro IMANI para Política & Educação, Franklin Cudjoe, abriu o painel falando a respeito da história dos grupos étnicos em seu país, a República do Gana, o governo e a economia. “Ninguém tem culpa de nascer como parte de um grupo étnico. O papel do Estado é proteger a liberdade e o direito a propriedade de todos”, afirma. Segundo ele, os conflitos dos grupos étnicos surgem quando o Estado eleva um dos grupos e este se sobressai sobre os demais e não protege a propriedade do indivíduo “Muitas pessoas acreditam que os conflitos em Serra Leão, no Sudão ou no Quênia são étnicos ou culturais, mas na verdade são oriundos dos direitos à propriedade que são negados”, declara Cudjoe.

Já o sociólogo, jornalista e mestre e doutor em Geografia Humana, Demétrio Magnoli afirma que é muito temeroso quando se discute sobre o tema etnias. “Brancos e negros são raças que não existem na natureza. São invenções políticas e cada vez que são debatidas tornam-se comuns e naturais. Por isso que o assunto torna-se perigoso”, diz. Para ele, o Estatuto da Igualdade Racial, na verdade, é irreal e sem fundamento. “Raça é desigualdade e surge na política. Cerca de 42% dos brasileiros se afirmam como pardos e não estão dando bola para raça”. Para Magnoli, a Lei da Cota para Negros em universidades não tem relação com a igualdade racial e o que o país necessita é de um Ensino Fundamental com qualidade e que as cotas nas universidades deveriam ser baseadas nas informações sociais e não na cor da pele.

O Frei David Raimundo Santos, que atuou na implantação do sistema de cotas em diversas universidades brasileiras, declarou que o problema da discussão de raças no Brasil é uma história mal resolvida e que somente agora o país está discutindo sobre a sua pluralidade étnica. “O tema está incomodando tanto porque os negros estão ocupando espaços na sociedade e reivindicando seus direitos”, declara. Para Frei David, fundador da Educafro – Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes, a Lei de Cotas oferece aos empresários a oportunidade de contar com colaboradores negros em suas organizações. “As cotas étnicas vêm justamente para acelerar a integração entre brancos e negros no Brasil”, diz Santos. Segundo ele, programas como ProUni e a Lei de Cotas são políticas públicas e devem levar em conta tanto a política social como a etnia.

O painel Liberdade de Etnias foi o quarto debate do XXII Fórum da Liberdade, que se realizou no Prédio 41, da PUCRS, em Porto Alegre.

Fonte: Comunique-se