“A Cultura da Liberdade”: o Fórum da Liberdade em Porto Alegre, Brasil

quarta-feira, 06 de maio, 2009 17h 57min

Em Porto Alegre não havia nem sinal de uma contrariedade liberal frente à crise financeira e econômica internacional. Em vez disto, se tratou de questões como a criação de uma ‘Cultura da Liberdade’ e se mostrou os déficits que criam resistência a uma ‘Cultura da Liberdade’.

Há 22 anos o Instituto de Estudos Empresariais – IEE realiza no Brasil no mês de abril o Fórum da Liberdade. O evento é realizado na Pontifícia Universidade Católica – PUC de Porto Alegre, no Estado do Rio Grande do Sul. Contando com a presença de 4000 participantes, entre estudantes, um grande número de palestrantes brasileiros e estrangeiros de diversos setores da política, economia, ciências e da mídia, assim como uma grande repercussão na televisão e nos jornais, este deve ser um dos maiores eventos liberais do mundo.
Em Porto Alegre não havia nem sinal de uma contrariedade liberal frente à crise financeira e econômica internacional. Em vez disto, se tratou de questões como a criação de uma “Cultura da Liberdade” e se mostrou os déficits que criam resistência a uma “Cultura da Liberdade”.
Para tanto, foi debatido um tema especialmente polêmico da política interna brasileira: as cotas para afro-brasileiros e mestiços são necessárias nas universidades públicas? Isto quer a esquerda brasileira que governa o país a nível federal e assim, neste ano, pela primeira vez na história do país, as pessoas serão separadas pela cor da pele, se quiserem estudar; e isto em um país no qual se é quase impossível reconhecer quem pertence a qual grupo. A resposta dos liberais a esta inversão de uma discriminação racial é clara: não é com cotas que se vai resolver o problema de grupos da população que ainda se beneficiam pouco demais da prosperidade econômica no Brasil. Muito mais decisivo é um bom sistema de educação, que possibilite a competitividade, e uma sociedade aberta e livre. Porém, exatamente isto é impedido pelos partidos de esquerda. Eles abandonaram por muitos anos o sistema de educação e cobriram o país com inúmeras medidas burocráticas que tornam o caminho para o crescimento mais difícil especialmente aos mais pobres.
Também houve pontos de vista controversos nos temas „Liberdade e Intervenções” e “Liberdade e Protecionismo” para o qual foi convidado Otto Guevara Guth, o presidente da rede liberal latino-americana RELIAL (Red Liberal de América Latina) e diretor do partido costarriquense „Movimento Libertário“. No tema “Imprensa e Liberdade de Expressão” foram esclarecidas algumas possíveis limitações da liberdade sob três pontos de vista: de uma editora de revista, legal e político. Reinou vasto consenso no tocante à importância da liberdade de imprensa e de opinião. Consequentemente, as ocasionais manobras do governo brasileiro para dominar a imprensa quando ela faz relatos muito críticos gera, por unanimidade, grande desconfiança. As opiniões divergiam somente em relação a uma definição de limites étnicos quando da publicação de informações pessoais.
Tanto Vicente Fox, o ex-presidente do México, quanto Salim Mattar, o fundador da grande locadora brasileira de veículos “Localiza”, mencionaram nas palavras de boas-vindas e de encerramento do XXII. Fórum da Liberdade com o tema „Cultura da Liberdade“ a atual crise bancária e financeira. Nenhum dos dois poupou os – com toda razão – odiados banqueiros, mas ambos mostraram também a responsabilidade dos governos nas falhas nos desenvolvimentos e alertaram para o perigo da utilização da crise como ocasião para o retorno de modelos de economia conduzidos. Segundo Fox, não é por causa de uma fase de fraqueza no capitalismo que o socialismo vai se tornar mais bem sucedido ou mais livre.
Mais informações sobre o Fórum da Liberdade deste ano podem ser encontradas em português e em inglês na website: www.forumdaliberdade.com.br
Mas não somente o Fórum da Liberdade é de grande interesse dos liberais. Os eventos que aconteceram paralelamente se tornam cada vez mais importantes.
Na noite seguinte ao encerramento do Fórum da Liberdade a Friedrich-Naumann-Stiftung für die Freiheit no Brasil realizou em cooperação com o IEE, um ciclo de palestras e debates com dois dos palestrantes do Fórum. Mais de 40 participantes, entre eles membros do IEE e lideranças escolhidas da política e da mídia, debateram acaloradamente o tema “Liberdade” com os palestrantes Otto Guevara Guth e Charles Murray do “American Enterprise Institute”.
Neste ano, antes do Fórum da Liberdade, a instituição ordemlivre.org, do Rio de Janeiro, que é o braço brasileiro do americano CATO-Institut, realizou um evento de palestras de dois dias sobre o tema: “Estratégias para a Liberdade“, do qual participou também o diretor da Fundação Friedrich Naumann no Brasil, Rainer Erkens. O evento deu a oportunidade a representantes de 20 organizações liberais brasileiras para discutir questões da política do país e montar uma rede de contatos. Um dos palestrantes principais foi Tom Palmer, do “Atlas Global Initiative for Free Trade, Peace, and Prosperity”. Ele alertou urgentemente para a tendência no novo governo americano e do partido que obtém a maioria das cadeiras no Congresso americano de utilizar a crise como desculpa para colocar em prática mudanças que significam menos liberdade e que vão enfraquecer o mercado, para a desvantagem dos contribuintes e dos consumidores.
Um outro ponto forte do evento foi a palestra do cientista político brasileiro Alberto Carlos Almeida, do “Instituto Análise” de São Paulo. Utilizando dados empíricos, ele comprovou quais elementos na sociedade brasileira geram uma oposição especial ao pensamento liberal. Para ele são, sobretudo, o forte papel da família, a importância de grupos religiosos – que na sua maioria são conservadores -, o poder de grupos bem organizados que são orientados à manutenção dos próprios privilégios e a crença cega de muitos brasileiros no Estado – que no entanto sempre volta a falhar. Almeida demonstrou também que a sintonização com a liberdade está relacionada, acima de tudo, ao nível de educação e ao poder aquisitivo de cada brasileiro. Quanto menor cada um dos dois, tanto mais o cidadão coloca-se como inimigo da liberdade. Por isto, reformas no sistema de educação e uma continuidade do crescimento econômico, que agora realmente foi interrompido, são essenciais para o fortalecimento dos liberais no Brasil.
Os liberais ainda têm muito o que fazer no Brasil. Os eventos em Porto Alegre deixaram claro também a força e a múltipla criatividade do movimento liberal no país e contribuíram assim consideravelmente para a motivação dos participantes.

Fonte: RELIAL – Red Liberal de América Latina




Para Gustavo Franco intervenção do Estado pode ser ferramenta para reversão da crise mundial

sexta-feira, 24 de abril, 2009 19h 56min

O ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco, defendeu hoje que a intervenção do Estado pode ser utilizada como uma das ferramentas para a reversão da crise mundial. Para o economista, que teve participação central no sucesso do Plano Real, o socorro aos mercados está entre os papéis do Estado. Franco palestrou na manhã desta terça-feira, durante o painel Liberdade e Intervencionismo, do XXII Fórum da Liberdade, promovido pelo Instituto de Estudos Empresariais (IEE) até hoje, dia 7.

Franco dividiu a mesa com o professor universitário Alberto Almeida e com o filósofo Denis Rosenfield. Para o ex-presidente do Banco Central, ao contrário do que se especula, a crise está longe de representar uma ameaça ao capitalismo democrático. E o Estado deve ser acionado para auxiliar na retomada da normalidade dos mercados. “Mas a intervenção deve ser utilizada apenas em momentos isolados, como na atual instabilidade. Nos demais, cabe ao próprio mercado ajustar-se. É importante entender que esta crise não é a porta para um novo socialismo. Trata-se de um ciclo natural do capitalismo, como tantos outros que já enfrentamos”, afirmou Franco.

O filósofo Denis Rosenfield também acredita que a crise será propulsora de um novo ciclo capitalista. Professor de filosofia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e doutor de Estado pela Universidade de Paris I Panthéon Sorbonne, Rosenfield alerta para um pensamento crescente entre movimentos de esquerda acirrados pela instabilidade global, que prega conceitos como a relatividade da propriedade privada e o monopólio da definição do que é bom para a sociedade. “Por que o Estado tem o monopolio da decisão do bem? Quando adota esta ideia o Estado passa a ditar a conduta do cidadão. É a tutela estatal, que representa o fim de toda a liberdade”, avalia.

Ainda no painel sobre Liberdade e Intervencionismo o professor universitário Alberto Almeida apresentou a pesquisa que originou o best seller de sua autoria, A Cabeça do Brasileiro. Os dados revelam uma população conservadora, principalmente em suas camadas menos escolarizadas, com um viés mais liberal nas classes mais abastadas: “O problema é que a escolaridade média do povo brasileiro é muito baixa. Se os liberais querem difundir suas idéias devem investir na educação do povo brasileiro. Também é importante mostrar claramente os benefícios de uma sociedade com mais liberdade, pois se o brasileiro é conservador, também é muito pragmático”.

O painel Liberdade e Intervencionismo foi o terceiro debate do XXII Fórum da Liberdade, que se realiza no Prédio 41, da PUCRS, em Porto Alegre. Na tarde desta terça-feira ocorrem outros três painéis. O sociólogo, jornalista e doutor em Geografia Humana Demétrio Magnoli; o economista Franklin Cudjoe; e o fundador da Educafro – Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes, Frei David Santos debaterão sobre Liberdade de Etnias. Já o vice-presidente de Programas Internacionais do Cato Institute, Tom Palmer; o doutor em Direito Tributário, especialista em Finanças das Empresas e mestre em Direito Público, Humberto Ávila; e a diretora de redação da Revista Exame, Cláudia Vassallo, participarão do painel sobre Liberdade de Imprensa e de Expressão. A palestra de encerramento será proferida pelo presidente da Localiza Rent a Car S/A, Salim Mattar.

Fonte: Comunique-se




Crise será propulsora de um novo ciclo capitalista, defende Denis Rosenfield

quinta-feira, 09 de abril, 2009 16h 41min

Painel do XXII Fórum da Liberdade debateu o intervencionismo

O filósofo Denis Rosenfield, que palestrou nesta terça-feira, durante o painel Liberdade e Intervencionismo, do XXII Fórum da Liberdade, acredita que a crise será propulsora de um novo ciclo capitalista. Professor de filosofia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e doutor de Estado pela Universidade de Paris I Panthéon Sorbonne, Rosenfield alerta para um pensamento crescente entre movimentos de esquerda acirrados pela instabilidade global, que prega conceitos como a relatividade da propriedade privada e o monopólio da definição do que é bom para a sociedade:

— Por que o Estado tem o monopolio da decisão do bem? Quando adota esta ideia o Estado passa a ditar a conduta do cidadão. É a tutela estatal, que representa o fim de toda a liberdade — avalia.

Integraram também a mesa o ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco,Gustavo Franco, — que defendeu a intervenção do Estado como ferramenta para a reversão da crise mundial — e o professor universitário Alberto Almeida, que apresentou a pesquisa que originou o best seller de sua autoria, “A Cabeça do Brasileiro”. As informações são do XXII Fórum da Liberdade.

Fonte: Jornal Zero Hora